sábado, 13 de janeiro de 2018

O Budismo e a Fé Bahá'í



Os Bahá'ís acreditam que o Budismo constitui uma parte vital do plano divino, representando um forte vínculo no processo da revelação progressiva ao longo dos tempos. Mas como é que uma religião com escassas referências a Deus pode ser parte do mesmo sistema global que as religiões teístas? Para responder a estas questões, precisamos investigar a história e as escrituras Budistas.

Siddhartha Gautama, o Buda, nasceu por volta de 500 aC, em Kapilavastu, no Nepal. Sobre o início da vida de Buda, um investigador budista escreve:

A tradicional história da vida transmitida e conhecida entre todos os budistas é bastante completa. Podemos estar bastante seguros de que contém informações históricas muito precisas. Temos a certeza que contém elaborações e adições posteriores. O que muitas vezes não sabemos é qual é qual. (L.S. Cousins, A Handbook of Living Religions)

Foto Mosteiro de Nigrodharama

Ruínas do mosteiro de Nigrodharama perto do local de nascimento de Sidartha
e onde Ele esteve durante a sua iluminação
 Algumas das histórias contadas sobre o Buda lembram mitos - mas é sempre mais fácil detectar os mitos de outra religião do que os mitos da nossa própria religião. A grandeza dos mitos, no entanto, revela a grandeza do Buda nos corações dos Seus seguidores. O Buda, sem dúvida, foi um grande ser - o Fundador de uma das grandes religiões mundiais - reverenciado e respeitado em todo o mundo.

Tal como as histórias que se contam sobre o Buda, a autenticidade das escrituras Budistas também tem aspectos problemáticos. Os ensinamentos Budistas apenas foram escritos no século I aC - um período de pelo menos 300 anos desde o tempo em que o próprio Buda viveu. Os textos Budistas mais antigos foram recuperados no Sri Lanka e foram escritos num idioma conhecido como pali - embora a palavra apenas signifique "texto". O Buda não falava pali; falava Magadhi. Pali é uma linguagem sintética, uma amálgama de vários dialectos, incluindo o que o Buda falava. Hoje em dia não é falado, excepto por devotos e estudiosos Budistas, tal como o latim para os estudiosos ocidentais.

Originalmente, os ensinamentos de Buda foram divididos em nove categorias (as seguintes explicações variam): sutra (prosa), geya (prosa e verso), vyakarana (respostas às perguntas), gatha jataka (histórias de nascimentos passados), udana (frases inspiradas) itivrttaka (palavras memoráveis), vedalla (catecismo) e adbhutadharma (qualidades maravilhosas), mas depois da morte do Buda, uma categorização mais simples entrou em vigor e as escrituras foram divididas em nikayas ("volumes" em pali) ou agamas ("colecções de escrituras" em sânscrito).

Escrituras Budistas em sânscrito
O primeiro volume destas colecções de escrituras chama-se vinaya (tanto em pali como em sânscrito) e contém instruções sobre disciplina monástica. O segundo chama-se sutta em pali e sutra em sânscrito. Contêm registros dos discursos ou ensinamentos públicos do Buda (dhamma em pali e dharma em sânscrito). Posteriormente, surgiu um terceiro volume chamado abhidhamma em pali e o abhidharma em sânscrito. Estes discursos sobre dharma reflectiam diferentes entendimentos dos ensinamentos do Buda. É provável que no início tenham sido produzidas muitas versões distintas, mas apenas duas versões completas sobreviveram: uma - da escola Sarvāstivāda - tornou-se dominante no norte da Índia e na Ásia central; e outro - da escola cingalesa - espalhou-se para o sul e seguidamente para o sudeste asiático. Juntos, estes três grandes volumes de escrituras são chamados de Tipitaka em pali (tripatika em Sanskrit), que literalmente significa, "três cestos".

Podemos perceber um pouco da imensidão do problema da autenticidade das escrituras Budistas ao saber que apenas os discursos contêm muitas milhares de páginas, muitas vezes maiores do que a Bíblia, ocupando o espaço equivalente de pelo menos 50 volumes em edições modernas. É inconcebível que uma tão grande quantidade de material possa ter sido transmitida oralmente sem modificação, alteração ou erro durante centenas de anos antes de ser escrito.

Os Bahá’ís acreditam que Buda foi um Manifestante de Deus, como Cristo, mas que os seus seguidores não possuem as suas escrituras originais. Este problema de autenticidade afecta muitas religiões, incluindo o Judaísmo, o Cristianismo e (em menor medida) o Islão. Mas, apesar deste problema e do problema paralelo da corrupção gradual dos ensinamentos autênticos e originais de cada um dos Profetas ao longo do tempo, os principais ensinamentos destas grandes religiões têm uma consistência e congruência notáveis:

O verdadeiro ensinamento de Buda é o mesmo ensinamento de Jesus Cristo. Os ensinamentos de todos os Profetas são os mesmos em carácter. Agora os homens mudaram o ensinamento. Se virem a prática actual da religião Budista, verão resta pouca coisa da Realidade. Há muita adoração de ídolos, embora os seus ensinamentos o proíbam. (Abdu’l-Baha in London, p. 63)

É claro que algumas formas de Budismo não estão focadas em ídolos, mas o Budismo, como todas as religiões, precisa de renovação.

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 6 de janeiro de 2018

Krishna, o Hinduísmo, e o Monoteísmo - uma perspectiva Bahá'í

Por Tom-Tai-Seale.


Os ensinamentos Bahá'ís afirmam que todas as grandes religiões monoteístas do mundo são uma só, que todas provêm da mesma Fonte e transmitem à humanidade a mesma mensagem essencial. Os Bahá’ís acreditam que esta unicidade progressiva inclui o Hinduísmo, uma antiga família de religiões originárias do subcontinente indiano.

Os Hindus são frequentemente classificados em diferentes grupos consoante os objectos da sua devoção, as suas práticas e o foco das suas Escrituras, levantando a questão “será o Hinduísmo uma única religião?”. Os ocidentais também têm tido, ao longo do tempo, uma variedade de ideias diferentes sobre Deus e os seus atributos. Quando um Ocidental decide tornar-se jesuíta em vez de franciscano ou um baptista em vez de presbiteriano, ele continua a aceitar outras formas de religião Cristã como expressões legítimas - apesar dessas formas diferentes enfatizarem diferentes aspectos ou métodos no Cristianismo. Os Hindus fazem o mesmo. Eles escolhem uma forma de religião que lhes é confortável, respeitando as restantes como diferentes expressões do Deus universal. Assim, os diferentes ramos do Hinduísmo, enfatizando diferentes aspectos de Deus, estão unidos como uma única família Hindu.

É certo que existem representações de muitos deuses no Hinduísmo, mas será correcto descrever o Hinduísmo moderno como politeísta? Tal como o Deus das religiões semitas, Brahman - o deus Hindu dos Vedas - é descrito como estando muito acima de nós. Os Vedas dizem: "Brahman é Aquele cujas palavras não podem descrever, e de Quem a mente, incapaz de O alcançar, se mostra confusa." E, no entanto, as escrituras Hindus dizem que Ele está no coração de todos, sendo essencialmente semelhante ao Deus monoteísta do Judaísmo, do Cristianismo e do Islão.
Vós sois o fogo, Vós sois o sol, Vós sois o ar, Vós sois a lua, sois o firmamento estrelado, sois o Brahman Supremo: Vós sois as águas - Vós, o criador de todos.
Estas palavras poderiam ter sido escritas por um místico Cristão ou Sufi. No entanto, até mesmo os Upanishads fazem a distinção entre Deus e o Seu universo. Como a continuação do mesmo versículo deixa claro, enquanto Deus cria coisas que mudam, Ele permanece o mesmo. Os versículos afirmam:
Cheias de Brahman estão as coisas que vemos; cheias de Brahman estão as coisas que não vemos; de Brahman flui tudo o que existe; E Brahman porém permanece o mesmo.
Será isso panteísmo? Um sábio hindu escreve:
Não existe, propriamente falando, panteísmo na Índia - mesmo que as aparências possam por vezes sugerir o contrário. O Hindu vê Deus como a energia derradeira na criação e por trás de toda a criação; mas nunca, nem nos tempos antigos, nem nos tempos modernos, Ele é idêntico a ela. (Swami Prabhavananda, The Spiritual Heritage of India, p. 33)

Os dez avatares de Vishnu
Os Bahá'ís acreditam num Ser Supremo e rejeitam o politeísmo e o culto de múltiplos deuses. Os ensinamentos Bahá'ís reconhecem as bases monoteístas do Hinduísmo e os seus mandamentos altamente morais. Também veneramos Krishna - o Avatar Hindu cujo ministério tem mais evidências históricas.
As almas abençoadas - seja Moisés, Jesus, Zoroastro, Krishna, Buda, Confúcio ou Maomé - foram a causa da iluminação do mundo da humanidade. Como podemos negar tais provas irrefutáveis? Como podemos ser cegos para essa luz? (‘Abdu'l-Bahá, The Promulgation of Universal Peace, p. 346)
A crença num agente divino organizador que procura educar e aperfeiçoar o carácter humano e permitir o crescimento social constitui o fundamento comum a todas as grandes religiões. A ênfase Hindu na oração e na meditação, na busca interior para encontrar o Bem-Amado, o desejo apaixonado de libertação da escravidão do mundo material e a tentativa de viver de acordo com uma ordem universal (dharma) conseguiram criar milhões de pessoas boas e nobres entre os Hindus do mundo.

A bondade e a gentileza dos Hindus, as mentes analíticas brilhantes de muitos dos seus sábios, as suas escrituras de beleza esmagadora são dádivas que a cultura hindu trouxe à família das religiões e das nações. É uma oferta de que não podemos abdicar.

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Texto Original: How Baha’is View Hindus, Krishna and Monotheism (www.bahaiteachings.org)

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Tom Tai-Seale é professor de saúde pública na Texas A&M University e investigador de religião. É autor de numerosos artigos sobre saúde pública e também de uma introdução bíblica à Fé Bahai: Thy Kingdom Come, da Kalimat Press.

sábado, 30 de dezembro de 2017

A Evolução programou-nos para acreditar em Deus?



Será que a evolução programou os seres humanos para acreditar em Deus?

No debate Intelligence Squared, o físico Lawrence Krauss - que defendia a ideia de que a ciência refuta Deus - afirmou o seguinte:

Os seres humanos foram claramente programados pela evolução para atribuir intencionalidade ao mundo ao seu redor. Significado e o propósito foram infundidos em todos os eventos do dia-a-dia para dar sentido a um mundo perigoso, difícil e indiferente; e assim desenvolvemos rituais a propósito do sol, da lua, dos planetas, do vento, da terra, dos oceanos, em todas as sociedades. O desenvolvimento da nossa compreensão física afastou-nos lentamente desses muitos deuses... A ciência ensinou-nos que em vez de seres caprichosos, há uma ordem na natureza, e essa ordem não parece incluir uma divindade.

Como qualquer pessoa que já trabalhou com computadores sabe, a programação não é feita de forma aleatória - é um acto que exige um objectivo. Krauss e o ponto de vista ateísta que ele representa pedem-nos que acreditemos que um processo sem inteligência racional nem objectivo, de alguma forma, impregna estas qualidades numa criatura entre os milhões que existem e existiram no planeta. Ele apresenta essa ideia em termos passivos ("significado e o propósito foram infundidos"), de modo que parece não haver infusor activo, mas a razão e a lógica determinam que se o propósito fosse infundido, alguém ou alguma coisa deve ter feito a infusão inicial.

O facto dos seres humanos serem as únicas criaturas que atribuem um significado à vida não pode ser explicado apenas afirmando que fomos programados sem um programador, ou que aprendemos a atribuir significados sem que alguém nos tenha ensinado.

‘Abdu’l-Bahá referiu sobre este mesmo assunto durante um encontro com um grupo de pensadores livres em São Francisco, em 1912:

Se se afirma que a realidade intelectual do homem pertence ao mundo da natureza - que é uma parte do todo - perguntamos se é possível que a parte contenha virtudes que o todo não possui? Por exemplo, será possível que a gota contenha virtudes das quais todo o corpo do mar está privado?... Será possível que a extraordinária faculdade da razão no homem tenha carácter e qualidade animal? Por outro lado, é evidente e é verdade, embora muito espantoso, que no homem está presente esta força ou faculdade supranatural que descobre as realidades das coisas e que possui o poder da idealização ou da intelecção. É capaz de descobrir as leis científicas; a ciência que conhecemos não é uma realidade tangível. A ciência existe na mente do homem como uma realidade ideal. A própria mente, a própria razão, é uma realidade ideal e não tangível. (The Promulgation of UniversalPeace, p. 451)

Na verdade, eu gosto da referência de Krauss ao "desenvolvimento da compreensão física ". A distinção é importante, porque leva-nos a questionar uma suposição chave de Krauss: que uma compreensão puramente física do universo é a única compreensão possível ou válida.

O facto de estarmos agora envolvidos numa conversa sobre realidades não-físicas parece debilitar essa suposição. Esta conversa é onde a maioria de nós vive. Gastamos mais tempo considerando coisas intangíveis do que a fazer as nossas necessidades físicas mais críticas, como por exemplo, alimentarmo-nos. Para a maioria das pessoas, estas coisas tornaram-se secundárias que servem para manter, essencialmente, pensamentos sobre coisas não-tangíveis.

Eu passo a maior parte do tempo a contar histórias, a pensar e a escrever sobre coisas não tangíveis. Também muitas outras pessoas, incluindo Lawrence Krauss e o seu parceiro teísta no debate Intelligence Squared, o físico Ian Hutchinson. Ironicamente, todo o conjunto de literatura do Novo Ateísmo, escrito por pessoas como Richard Dawkins, Sam Harris e o inimitável Christopher Hitchens, é sobre coisas intangíveis, do princípio ao fim - e, no entanto, eles negam a existência de qualquer intangível supremo.

Estes novos ateus contam histórias cujo propósito é dizer-nos que não temos nenhum propósito - um enigma sobre o qual gostaria de escrever outro texto. Enquanto isso, medite por um momento sobre este excerto dos ensinamentos Bahá'ís, que indica que nós, humanos, temos um propósito maior e mais profundo do que sabemos:

Se o homem não existisse, o universo não teria resultado, pois o propósito da existência é a revelação das perfeições divinas. (‘Abdu’lBahá, Some Answered Questions, newly revised edition, p. 227)

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Maya Bohnhoff é Baha'i e autora de sucesso do New York Times nas áreas de ficção científica, fantasia e história alternativa. É também compositora/cantora (juntamente com seu marido Jeff). É um dos membros fundadores do Book View Café, onde escreve um blog bi-mensal, e ela tem um blog semanal na www.commongroundgroup.net.

sábado, 23 de dezembro de 2017

Feliz Natal - de uma Bahá'í

Por Jaellayna Palmer.


Ter crescido como a única menina Judia numa cidade pequena do Indiana (EUA), proporcionou-me uma experiência de vida como “diferente” na época do Natal.

A minha família nem sequer tinha a chamada árvore de Hanukkah, e havia uma pessoa na família que adorava a música de Natal, especialmente o álbum de Johnny Mathis. Como outras famílias naquela época, víamos os filmes de Natal na TV ou no cinema. Mas isso era entretenimento; não era algo em que "acreditávamos".

Quando as pessoas que não sabiam que eu era judia me perguntavam sobre os meus planos para o Natal, eu ficava nervosa a pensar no que havia de dizer. Se dissesse apenas "Somos judeus", isso geralmente acabava com a conversa. Mas, por vezes, as pessoas ficavam confusas sobre o povo judeu. Lembro-me de uma colega de escola me perguntou se podia tocar nos chifres na minha cabeça, explicando depois que a cabeleireira da sua mãe lhe tinha dito que os judeus têm chifres.

Mais tarde, quando estudava na universidade, no final da década de 1960, decidi que já não queria ser judia. Comecei a investigar o que queria ser - aquilo em que eu realmente acreditava e a que me queria associar. A história sobre como descobri a Fé Bahá’í (ou como ela me descobriu) é o tema para outro ensaio, talvez noutra ocasião. Mas em 1980 decidi-me tornar Bahá'í. A ironia? Voltei mais uma vez a ser “diferente”.

Ao longo dos anos, os ensinamentos Bahá’ís mostraram-me que o espírito do natal é realmente algo para celebrar. Agora aceito e venero a Jesus Cristo como mensageiro de Deus para o seu tempo. Ser Bahá’í aproximou-me dos meus irmãos e irmãs cristãs em todo o mundo, pois reconheço a unidade essencial de todas as religiões e a unidade dos mensageiros divinos que trouxeram essas religiões à humanidade durante o seu tempo na Terra.

O site oficial da Fé Bahá’í (www.bahai.org) apresenta esta explicação:
Ao longo da história, Deus enviou à humanidade uma série de educadores divinos - conhecidos como Manifestantes de Deus - cujos ensinamentos forneceram a base para o avanço da civilização. Estes Manifestantes incluem Abraão, Krishna, Zoroastro, Moisés, Buda, Jesus e Maomé. Bahá’u’lláh, o mais recente desses Mensageiros, explicou que as religiões do mundo provêm da mesma Fonte e, em essência, são sucessivos capítulos de uma única religião de Deus.
Quando perguntaram qual a diferença entre os ensinamentos de Bahá’u’lláh e os ensinamentos de Jesus Cristo, ‘Abdu’l-Bahá deu esta explicação:
Os ensinamentos são os mesmos. É a mesma base e o mesmo templo. A verdade é una e indivisível. Os ensinamentos de Jesus estão numa forma concentrada. Até hoje, os homens não estão de acordo sobre o significado de muitas das suas palavras. Os seus ensinamentos são como um rebento de uma flor. Hoje, o rebento está a transformar-se em flor! Bahá’u’lláh expandiu e cumpriu os ensinamentos, e aplicou-os em pormenor ao mundo inteiro. (‘Abdu’l-Bahá in London, p. 92)
No entanto, confesso que fico cansada do grau de saturação que o Natal atinge na América do Norte. Desde a música nos centros comerciais aos desfiles do Pais Natal, parece-me que se passou do limite. Pergunto-me, por vezes, se Cristo apreciaria o materialismo que o seu aniversário agora suscita. Por outro lado, participo de trocas de presentes no meu emprego, junto-me a amigos para jantar, faço de "Pai Natal secreto" durante uns dias com actos de bondade e aproveito outros eventos pessoais.

Agora, quando os empregados das lojas e outras pessoas que não me conhecem me perguntam se estou pronta para o Natal, digo-lhes apenas que eu não o celebro especificamente, embora como Bahá’í eu respeite honre o espírito da época. Depois pergunto-lhes o que ELES estão a fazer. Todos ficam entusiasmados por me contar sobre as tradições das suas famílias, o tamanho da sua árvore, quem vão visitar, como eles trocam presentes, o que eles vão comer e os passeios que estão a planear. Ouço-os com interesse, partilho o seu entusiasmo e, com toda a sinceridade, desejo-lhes umas boas festas.

Desejo-lhe um Feliz Natal também para si.

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Jaellayna Palmer nasceu nos EUA e actualmente vive com o marido no Canadá. Trabalhou durante 8 anos como voluntária no Centro Mundial Baha’i e está semi-reformada. É colunista de um jornal e publicou um livro de ensaios pessoais intitulado "Personal Path, Practical Feet".

sábado, 16 de dezembro de 2017

Deus - Causa e Efeito

Por David Langness.


Quando S. Tomás de Aquino escreveu as “Cinco Vias” para provar que Deus existe, muitas pessoas acreditaram que ele provara de forma definitiva a existência de um Criador; outros, porém, argumentavam que as “Cinco Vias” eram circulares e não nada provavam.

S. Tomás de Aquino
Mas o pensamento e a escrita de S. Tomás criaram as bases para muita da filosofia moderna. Quer se esteja de acordo ou contra os seus conceitos, todos reconhecemos que o seu trabalho teve enorme influência nos campos da teoria política, metafísica, ética e teologia.

A prova de Deus mais conhecida de S. Tomás - a ideia de causa e efeito - ainda persiste, mil anos depois de ele a ter apresentado. É óbvio que S. Tomás não a inventou - os autores foram Platão e Aristóteles - mas a maioria dos pensadores e filósofos atribuem a S. Tomás o mérito de a ter afirmado de forma tão clara e económica. Na sua expressão mais simples, este argumento segue este caminho lógico:

  1. Todos os seres finitos e contingentes têm uma causa.
  2. Nada que seja finito e contingente pode ser a causa de si próprio.
  3. Uma cadeia causal não pode ter comprimento infinito.
  4. Portanto, a Primeira Causa (ou algo que não é um efeito) tem que existir.

Se pensarmos nos antigos gregos, que perceberam este conceito coerente muito antes de os cientistas começarem a compreender o Universo tal como o conhecemos hoje, o argumento é ainda mais impressionante. Agora aceite por muitos, a ciência designa essa teoria de causa-efeito "o Big Bang" quando aplicada à criação do universo. A versão científica é assim:

  1. Tudo o que tem um início tem uma causa.
  2. A existência do Universo teve um início.
  3. Portanto, o Universo teve uma causa.

Esta lógica sustenta grande parte do nosso entendimento científico actual. Claro, ninguém pôde ainda provar que o universo teve uma "Primeira Causa", embora esta teoria seja, de longe, a história de criação prevalecente na ciência de hoje.

No entanto, muitos dos crentes e teóricos do Big Bang, que constituem a maioria dos cientistas de hoje, também percebem o erro nessa lógica aparentemente clara: o chamado problema de regressão infinita. A regressão infinita, basicamente, argumenta que se o universo tivesse uma primeira causa, o que causou essa primeira causa? Por outras palavras, se a causa e o efeito estiverem sempre em vigor, então, como poderia existir uma "primeira" causa?

Os ensinamentos Bahá’ís abordam esta profunda questão filosófica e científica de uma forma inovadora e completamente única, que alguns físicos teóricos e astrofísicos que estudam buracos negros também começaram a postular. Este entendimento científico e espiritual suporta a questão da causa-efeito sem o problema da regressão infinita. É o chamado “universo não criado”, que combina a ideia de causa-efeito com um conceito muito mais compreensível da Primeira Causa:
Sabe, com toda a certeza, que todas as coisas visíveis têm uma causa. Por exemplo, esta mesa é feita por um carpinteiro; o seu criador é o carpinteiro. Portanto, como estes objectos não se criaram a si próprios, eles não estão na natureza das coisas eternas; mas precisam de uma força auxiliar transformadora, embora na sua essência sejam muito antigas no tempo; mas a sua existência antiga e eterna não se deve à forma temporária.

Por exemplo, o mundo dos elementos não pode ser aniquilado, porque a existência pura não pode ser aniquilada; e o que observamos são modificações transformadoras na composição da essência. A combinação de diferentes elementos formou o homem físico; quando a composição é destruída, os elementos regressarão para as suas partes componentes. A aniquilação completa não pode acontecer.

O universo nunca teve um início. Do ponto de vista da essência, ele transforma-se. Deus é eterno na essência e no tempo. Ele é a sua própria existência e causa. É por isso que o mundo material é eterno em essência, pois o poder de Deus é eterno. (‘Abdu’l-Bahá, Divine Philosophy, pp. 106-107)
Aqui e em muitos outros textos das escrituras Bahá'ís, ‘Abdu'l-Bahá apresenta um argumento extremamente importante que combina a ciência mais avançada com o vasto e ilimitado entendimento de Deus:
Assim, se houvesse um momento em que Deus não manifestasse as Suas qualidades, então não havia Deus, porque os atributos de Deus pressupõem a criação dos fenómenos. Por exemplo, por consideração, dizemos que Deus é o criador. Então, deve existir uma criação - uma vez que o atributo criador não se pode limitar ao momento em que algum homem ou homens percebem esse atributo. Os atributos que descobrimos um a um - esses atributos existem antes de os descobrirmos. Portanto, Deus não tem início nem fim; nem a Sua criação está limitada em grau. As limitações de tempo e grau pertencem às coisas criadas, nunca à criação como um todo. (‘Abdu’l-Bahá, Foundations of World Unity, p. 52)
Aristóteles e S. Tomás levaram-nos à vanguarda da ciência contemporânea. (…)

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Texto original: God - Cause and Effect (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA

sábado, 9 de dezembro de 2017

Bahá’u’lláh e a Revolução Russa

Por Baron Harper.


Há um século atrás, Vladimir Lenine levou o partido bolchevique - que ele tinha fundado - a derrubar o governo provisório de Alexander Kerensky.

A revolução que Lenine preparou arduamente durante anos teria amplas consequências nas décadas que se seguiram a 1917. Sendo reconhecidamente ateu, Lenine aderiu ao movimento revolucionário na Rússia czarista. Mais tarde, o seu fervor revolucionário intensificou-se quando o seu amado irmão mais velho foi enforcado por conspirar para assassinar Czar Alexandre III.

Vladimir Lenine
Lenine era um leitor ávido de literatura política revolucionária - incluindo “O Capital” de Karl Marx - e tornou-se marxista em 1889. Quando tentava unificar os grupos marxistas russos, esforçou-se por minar a veneração dos trabalhadores pelo Czar e afirmou que o capitalismo estava a destruir rapidamente a comuna agrícola - uma comunidade autónoma de famílias camponesas. Lenine acreditava que o proletariado - o povo da classe trabalhadora - nunca poderia entender que, ao derrubar capitalismo, só seria possível construir o socialismo marxista com um núcleo duro de revolucionários que governasse esse movimento.

Lenine nasceu durante o reinado do Czar Alexandre II, que reinou entre 1865-1881 e que foi saudado como o "Czar libertador" por ter libertado os camponeses servos. Na Rússia, a servidão era um estado de sujeição que vinha desde a Idade Média, em que as pessoas eram obrigadas a prestar serviços a um senhor e à sua terra.

Conhecido pelas opiniões liberais, Alexandre II foi um dos oito soberanos a quem Bahá’u’lláh Se dirigiu nas Suas singulares Epístolas aos reis e governantes na década de 1860. Para Alexandre II e os governantes que, no século XIX, exerciam autoridade absoluta civil e eclesiástica, escreveu:
Harmonizai as vossas diferenças e reduzi os vossos armamentos, para que o fardo das vossas despesas possa ser aliviado e para que as vossas mentes e corações possam ficar tranquilos. Sarai as dissensões que vos dividem… Ficámos a saber que aumentais as vossas despesas todos os anos e que colocais o respectivo fardo sobre os vossos súbditos. Em verdade, isto é mais do que eles podem suportar e é uma penosa injustiça. (SEB, CXVIII)
Especificamente para o Czar Alexandre II, Bahá’u’lláh declarou:
Em verdade, ouvimos aquilo que suplicastes ao teu Senhor, quando comungavas em segredo com Ele. Por isso, a briza da Minha benevolência soprou, e o mar da Minha misericórdia agitou-se, e respondemos-te em verdade. O teu Senhor, verdadeiramente, é o Omnisciente, o Sapientíssimo. (The Summons of the Lord of Hosts, p. 83)
Bahá’u’lláh disse aos governantes mais poderosos do mundo que os seus reinos terminariam se eles não prestassem atenção aos Seus avisos. Dirigindo-se ao Czar Nicolau II, escreveu:
Ó orgulhosos da terra! Acreditais que viveis em palácios enquanto Aquele Que é o Rei da Revelação reside na mais desolada das moradas? Não, por Minha vida! É em túmulos que habitais, se apenas o percebêsseis! (Idem, p. 87)
As políticas liberais do Czar tiveram a oposição dos nobres que perdiam posição e influência. Posteriormente, Alexandre II aceitou as suas pressões e iniciou uma política reaccionária que provocou uma desilusão generalizada, niilismo, agitação e terrorismo no seu império - e o que levou ao seu assassinato em 1881.

O seu filho, Alexandre III, que reinou de 1881-1894, prosseguiu uma política de repressão severa e hostilidade desafiadora para as vozes inovadoras e progressistas que apelavam para mudanças sociais. Ele acreditava que a ortodoxia, a autocracia e a nacionalismo russos salvariam a Rússia da agitação revolucionária. Invertendo algumas das reformas liberais do seu pai, decretou que o seu autoritarismo não teria limites.

Alexandre III morreu de nefrite aos 49 anos, em 1894. Quando o seu sucessor, Nicolau II, que reinou entre 1894-1917, se viu imperador da Rússia, perguntou ao seu primo: "O que vai acontecer comigo e com toda a Rússia?"

O Czar Nicolau II
Destinado a ser o último dos Romanov, que governavam desde 1613, Nicolau, com 26 anos, casou apressadamente com a princesa Alice (Alexandra), tornando-se ela a única pessoa em que podia confiar. Como Czar, Nicolau decidiu governar segundo o modelo do seu falecido pai. A sua política resoluta de repressão e absolutismo contribuiria para o declínio do Império Russo, acabando com a sua hegemonia e deixando de ser uma das grandes potências do mundo.

Debilitado por uma burocracia corrupta, humilhado numa guerra com o pequeno Japão em 1905, culpado pelo massacre do “Domingo Sangrento” (1389 pessoas) no mesmo ano, e arruinado pela morte de mais de 3.300.000 russos que ele quis liderar na Grande Guerra, Nicolau foi forçado a abdicar no início de 1917 - há um século. Ele e a sua amada consorte, juntamente com os seus cinco filhos, foram mantidos em prisão rigorosa pelo governo provisório de Kerensky até que surgisse a oportunidade de os exilar no estrangeiro. Em vez disso, os bolcheviques liderados por Lenine tomaram o poder em Outubro de 1917, e passado um ano executaram o czar e a sua família.

Ao acusar a conspiração leninista pela destruição brutal do primeiro governo democrático estabelecido na Rússia, a Casa Universal de Justiça condenou a revolução russa dos bolcheviques:
Durante longos anos, o sistema soviético criado por Vladimir Lenine conseguiu apresentar-se a muitos como um benfeitor da humanidade e o defensor da justiça social. À luz dos acontecimentos históricos, essas pretensões eram grotescas. A documentação agora disponível fornece provas irrefutáveis de crimes tão enormes e loucuras tão abismais que não tem paralelo nos seis mil anos de história registada. A um grau nunca antes imaginado, e nem sequer tentado, a conspiração leninista contra a natureza humana também procurou sistematicamente extinguir a fé em Deus... O seu efeito espiritual a longo prazo, tragicamente, era perverter, para o serviço da sua própria agenda amoral, os anseios legítimos de liberdade e justiça dos povos oprimidos em todo o mundo. (Century of Light, pp. 61-62)
Um século após a revolução russa, a crescente agitação entre populações civis em todo o mundo foi incapaz de criar um sistema justo e equitativo de governação internacional. Apesar de se apresentarem reivindicações, de se comprometerem lealdades, de se travarem batalhas, de se reformularem tratados e de se derrubarem governos, a verdade é que, em todo o mundo, os povos ainda se sentem desconfiados, em conflito e sem liderança. E podemos reflectir sobre uma das mais duras lições da Revolução Russa: que os bolcheviques substituíram uma autocracia indiferente por uma ditadura brutal, que se tornou responsável por engendrar atrocidades muito piores do que alguma vez se poderia ter imaginado sob domínio dos czares. Essa lição recorda-nos que as lutas tradicionais pela mudança podem piorar em vez de melhorar as condições - mas, ainda mais importante, lembra-nos que nenhum governante, por mais poderoso que seja, pode ignorar as advertências de um profeta de Deus. Bahá’u’lláh deu à humanidade um caminho para uma mudança positiva quando apelou aos governantes do mundo que estabelecessem a unidade através da justiça: "O propósito da justiça é o aparecimento da unidade entre os homens". (Tablets of Baha’u’llah, p. 66)

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Texto original: Baha’u’llah and the Revolution in Russia (www.bahaiteachings.org)

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Barron Harper é um consultor fiscal internacional. Aceitou a Fé Bahá’í em 1967, serviu em instituições Bahá’ís locais e nacionais nos Estados Unidos, Argentina e Portugal, e é autor de dois livros Bahá’ís - “Lights of Fortitude” (George Ronald Press) e “Unfurling the Divine Standard".

sábado, 2 de dezembro de 2017

As zonas cinzentas de Deus

Por David Langness.


A investigação científica diz-nos que tudo tem graus e intensidades - que todas as coisas são relativas.

Podemos resumir esta perspectiva científica do mundo com uma frase: não existe preto ou branco; apenas tons de cinzento. A frase reflecte a perspectiva de que não existe uma verdade ou um erro absoluto no nosso mundo moralmente imperfeito - que não existem absolutos morais.

Ibn Sina (Avicena)
No debate sobre a existência de Deus, esta questão sobre a relatividade moral tornou-se o centro das atenções nos últimos mil anos ou mais.

Na verdade, começou muito mais cedo do que isso, com Aristóteles e o seu livro Metafísica, por volta do ano 300 AC. A perspectiva de Aristóteles sobre Deus e o mundo teve um enorme impacto em toda a filosofia ocidental e nos primeiros grandes pensadores islâmicos como Al-Kindi, Al-Farabi, Ibn Sina (Avicena) e Ibn Rushd (Averroes), através da escola do pensamento islâmico Falsafa (filosofia). Esses grandes pensadores, por seu lado, influenciaram São Tomás de Aquino e o seu famoso ensaio intitulado "As Cinco Vias", assim como o seu livro Summa Theologica, publicado no século XIII, e que ainda hoje causa discussão.

S. Tomás de Aquino acreditava que a fé só por si não era suficiente - os seres humanos precisavam de usar a razão para entender a verdade sobre Deus. No seu ensaio “As Cinco Vias” (Quinque Viae) da Summa Theologica, ele indica essas razões:

  • Movimento; e a noção de um Primeiro Movimentador.
  • Causa; e a noção de uma Primeira Causa.
  • A existência do necessário e desnecessário.
  • Gradação; ou a noção dos tons de cinzento.
  • Ordem na natureza; ou toda a natureza é governada por Deus para um fim.

Aqui está uma citação directa do argumento da Quarta Via de Aquino:
Pois encontramos maiores e menores graus de bondade, verdade, nobreza e outros. Mas "mais" ou "menos" são termos que expressam várias coisas que conduzem de diversas maneiras em direcção a algo que é o "maior", tal como no caso de "mais quente" que se aproxima do "maior" calor. Existe, portanto, algo "mais verdadeiro" e "melhor" e "mais nobre", o que, em consequência, é o maior "ser". Para essas coisas que são as maiores verdades existem os maiores seres... Além disso, aquilo que é o maior no seu modo, é, de outra forma, a causa de todas as coisas que lhe pertencem; assim, o fogo, que é o maior calor, é a causa de todo o calor, como é dito no mesmo livro. Portanto, há algo que é a causa da existência de todas as coisas, e da bondade, e de qualquer perfeição. A isso nós chamamos "Deus".
S. Tomás de Aquino
Por outras palavras - se posso tomar a liberdade de simplificar e resumir esse argumento subtil e sério - S. Tomás diz que os tons de cinzento só são possíveis devido à existência de preto e branco. Ou, dizendo de outra maneira, podemos deduzir a existência de Deus a partir da existência do bem moral humano.

Isto significa que um universo moral, segundo S. Tomás no seu primeiro princípio, só pode ter origem a partir de Primeiro Movimentador ou Movimentador Primordial; um ser que põe em movimento todo o conceito de moralidade. Aquilo que Aristóteles designou como movimentador inamovível, esse conceito de Deus como o principal motor do universo influenciou teologia e filosofia durante milhares de anos. Cientificamente, isso combina bem com a recentemente descoberta lei da conservação da energia, o princípio da física que afirma que a energia total de um sistema não pode variar.

Bahá’u’lláh refere-Se a este conceito desta forma:
Glorificado, imensamente glorificado sois Vós. Sois Aquele que desde a eternidade tem sido o Rei de toda a criação e o seu Primeiro Movimentador, e permanecereis até à eternidade o Senhor de todas as coisas criadas e o seu Ordenante. (Baha’i Prayers, p. 41)
Os Bahá'ís acreditam que tanto a perspectiva teológica como a científica validam igualmente a existência de Deus:
... entende-se que por um homem estar doente que deve haver alguém que esteja com saúde; pois, se não houvesse saúde, a sua doença não poderia ser comprovada. Portanto, torna-se evidente que existe um Omnipotente Eterno, Que é o possuidor de todas as perfeições, porque se não possuísse todas as perfeições, seria como a Sua criação.

Por todo o mundo da existência é o mesmo; a mais pequena coisa criada prova que existe um criador. Por exemplo, este pedaço de pão prova que ele tem um fabricante.

Louvado seja Deus! A menor mudança produzida na forma da mais pequena coisa prova a existência de um criador: então este grande universo, que é interminável, pode ter sido criado por si próprio e surgido pela acção da matéria e dos elementos? Quão evidente é o erro dessa suposição! (‘Abdu’l-Bahá, Some Answered Questions, p. 6)
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Texto original: God’s Grey Areas (www.bahaiteachings.org)

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David Langness é jornalista e crítico de literatura na revista Paste. É também editor e autor do site www.bahaiteachings.org. Vive em Sierra Foothills, California, EUA.